A Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, apontou desaceleração das vendas. Passamos de 7% anuais para um índice praticamente nulo (0,4%, em 2014) em Santa Catarina. Isso não significa que o comércio parou de vender e que o setor está em crise, como afirmam manchetes sensacionalistas e entidades empresariais. Um volume expressivo de recursos continua movimentando o setor.
A desaceleração não diminui o lucro das redes varejistas, pelo contrário, o lucro gigantesco está na essência desse ritmo de vendas. A constatação é simples: o varejo se insere no jogo financeiro. Vender produtos deixou de ser negócio prioritário.
Ao invés de vender geladeiras é preferível vender empréstimo pessoal, com taxas de juros de mais de 150% ao ano. Ou, mesmo, quando ela é vendida, é apenas o meio necessário para a venda de um crediário, associado com juros de mais de 100% ao ano. Quando não, um seguro, uma garantia estendida ou outro serviço financeiro.
O juro médio cobrado na aquisição de bens, segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), é de 139,24% ao ano. Com isso, apenas metade do que o consumidor paga é o produto, a outra metade vai direto aos cofres das grandes redes de varejo, como juros e amortizações.
Não por acaso, o último ciclo de expansão das taxas de juros, em meados de 2013, impactou diretamente o consumo das famílias brasileiras. O consumo desacelerou, mas o lucro não. O grande varejista vem travando a demanda. Já o pequeno, com pouca capacidade de firmar parcerias com o sistema financeiro e negociar com fornecedores, depende da venda de produtos e, mesmo sem saber, vira refém do grande empresário, que estrangula o mercado interno.
Aumentar salários e reduzir juros são dois pilares indispensáveis para a recuperação da economia. Mas, para isso, é preciso enfrentar os interesses parasitários dos que ganham muito com a miséria do povo brasileiro.

